terça-feira, 17 de novembro de 2009

Yoani Sanchez - não vamos deixar ela se calar!

A amiga blogueira Beth, do Mãe Gaia postou uma notícia que me chocou! Estou indignada com a notícia da covardia feita a uma mulher cubana, blogueira que foi agredida fisicamente pela polícia cubana, simplesmente por que ela fala o que tem vontade de dizer, num país onde a liberdade de expressão é um luxo.
Temos de divulgar, espalhar o nome Yoani Sanchez na blogosfera para que algo assim não aconteça mais nem com ela, nem com nenhum cidadão que é livre para dizer o que pensa, sem medo de nos mostrar a vida em Cuba como ela, sem véus, sem maquiagens...
Este vídeo é a minha homenagem a esta mulher guerreira do bem e que tem a palavra como ferramenta de libertação.

Marcadores: , , ,

quarta-feira, 25 de março de 2009

Guerra Urbana no Rio

É, amigos, a guerra urbana no Rio de Janeiro continua......Leia este artigo da Lucia Hipólito.


Civilização ou Barbárie
A batalha entre forças policiais e bandidos que se espalhou por mais de quatro bairros da Zona Sul do Rio desde domingo, dia 22, é mais um episódio que se repete com dolorosa frequência nas megalópoles brasileiras.

A situação supera o mero problema de segurança pública e passa a ser um problema de estágio civilizatório.

Estaremos todos regredindo à barbárie?

Cada vez que uma situação dessas nos assusta, nos martiriza, as pessoas de bem são tragadas pela barbárie e regridem um pouco mais a cada dia.

Em suma, não são apenas os bandidos que são bárbaros. Nós também corremos sério risco de caminhar a passos acelerados em direção à barbárie.

É assustador, mas nem um pouco surpreendente. É o resultado esperado do persistente processo de “desconstituição” do Estado, que vem acontecendo, e não é de hoje, no Brasil, e particularmente nas megalópoles como Rio e São Paulo.

Há séculos, o que se conhece como Estado Moderno vem se constituindo a partir da extensão da soberania sobre vastos aspectos da vida das nações.

Assim, a soberania sobre o território consolida-se gradativamente a partir da presença do poder público ocupando todos os pontos do país.

Outro elemento constitutivo importante é o monopólio do uso legítimo da força, ou seja, grupos privados deixam de reprimir e oprimir sob motivações igualmente privadas e se subordinam às forças do Estado, que passa assim, a deter o monopólio do uso legítimo da violência.

Um terceiro e relevante aspecto constitutivo do Estado Moderno diz respeito à justiça, que também passa a ser exercida pelo Estado, na medida em que a lei subordina tudo e todos, e a única ordem jurídica reconhecida é aquela vinculada ao Estado.

Não há mais justiça privada, mas aquela patrocinada e exercida pelos órgãos do Estado.

Muito bem. Se estes três elementos são importantes fatores constitutivos do Estado Moderno, é perfeitamente possível classificar o processo por que passa o Brasil como de “desconstituição” do Estado.

Senão, vejamos. A soberania sobre o território já foi ferida de morte, porque há vastos territórios onde o poder público não consegue penetrar.

E por poder público entenda-se o agente de saúde, a ambulância, o caminhão de lixo, o carro de bombeiros, o recenseador do IBGE, o carteiro etc., não apenas a polícia.

Na maioria das vezes, estes agentes do Estado só conseguem ter acesso a certos locais depois de solicitar permissão ao “protetor” do lugar, em geral um traficante ou miliciano.

Pois o poder público simplesmente abandonou essas áreas e marginalizou suas populações, praticamente empurrando-as para os braços do crime organizado.

Já o monopólio sobre o uso legítimo da força tem sido sistematicamente desrespeitado por ricos, classe média e pobres, indiferentemente.

Os ricos contratam seguranças particulares (mas não conseguem evitar os sequestros), a classe média contrata seguranças para suas ruas e condomínios (porém não consegue evitar os assaltos), e agora os pobres começaram a receber a “proteção” de milícias, grupos de policiais, bombeiros e ex-policiais, que expulsam os traficantes de comunidades carentes e passam a extorquir a população local.

Isto tudo porque a polícia (isto é, o Estado) não protege ninguém.

Finalmente, a justiça tem sido igualmente privatizada, subtraindo soberania ao poder público. A justiça privada (dos traficantes, das elites, das milícias, da polícia) é sumária e rápida.

Espancamentos, assassinatos, ajustes de contas, tortura, “queimas de arquivo” frequentam corriqueiramente as páginas dos jornais.

Tudo isso acontece sob as barbas do governo, à luz do dia. A reação das autoridades varia entre a resignação, a indignação hipócrita e a total indiferença.

Enquanto isto, a população que paga seus impostos em dia e dá um duro danado para criar seus filhos fica desamparada, órfã, sem uma palavra de conforto e de esperança.

Será que “eles” venceram? Não podemos nos conformar com isso.


Extraído daqui.

Marcadores: ,

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A que ponto chegamos?

Saiu no jornal O Globo hoje:

Brutalidade

Polícia investiga abuso sexual contra menina de nove anos em Pernambuco

Publicada em 26/02/2009 às 11h52m

RECIFE - Um caso chocou os moradores do município de Alagoinha, no Agreste de Pernambuco, onde uma garota de apenas 9 anos está grávida de gêmeos. A polícia suspeita que o pai dos bebês seja o padrasto da vítima. De acordo com a polícia, a menina sofria abusos desde os 6 anos.

A gravidez foi descoberta depois que a criança se queixou de dores e foi levada pela mãe, na última quarta-feira, à Casa de Saúde São José, em Pesqueira. Quando chegou ao hospital, os médicos descobriram que a garota estava na 16ª semana de gestação.

De acordo com a polícia, a mãe não sabia dos abusos sofridos pela filha, que só teria contado sobre o caso depois da descoberta da gravidez. O padrasto da criança ainda não foi localizado pela polícia. Se confirmada a suspeita, ele pode responder na Justiça por estupro, pedofilia e aliciamento de menores.



Marcadores:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Até quando, meu Deus?


Notícia de hoje no G1:



Cachorro encontra recém-nascido dentro de lixeira no Guarujá

Animal chamou a atenção de moradores, que levaram a criança ao hospital.
Bebê segue internado e ficará sob os cuidados do Conselho Tutelar.



Um bebê recém-nascido foi encontrado em uma lixeira no Guarujá, a 86 km de São Paulo, na manhã deste domingo (30). O cachorro encontrou a criança e chamou a atenção dos moradores da região.

O bebê tinha o cordão umbilical amarrado com um fio dental. Ele estava dentro de uma mochila. Após acharem a criança, os moradores a levaram para o hospital.

O recém-nascido pesa 4,5 kg e está internado no Hospital Santo Amaro. Ele deve ficar sob os cuidados do Conselho Tutelar até que os responsáveis sejam localizados.



Poxa vida.... Há algumas semanas, nós fizemos uma blogagem coletiva sobre adoção e neste blog aqui muitos abriram seus corações e contaram sobre suas experiências. Falamos sobre o abandono, das dificuldades que é a adoção legal, do tempo de espera e eu falei sobre a "doação legal", algo que estas mulheres cruéis deveriam pensar em fazer se não desejam ficar com seus bebês, Nesta postagem
Não pode ficar com seu filho? Não é crime doá-lo a quem gostaria de educar uma criança com amor. Agora, jogar um filho fora? Sinceramente, não é compreensível. Por mais que tente, não consigo entender. É cruel, é maldade, é abandono demais, é CRIME!!!
O que mais me entristece é que agora este bebê irá para o Conselho Tutelar, depois eles irão procurar a mãe biológica e a lei ainda estará ao lado desta mãe que jogou o filho no lixo.
Ela poderá se arrrepender, dizer que fez aquele ato horrível por desespero... bla... bla... bla.
E ela terá uma segunda chance.
Acho injusto. Acho perigoso. É cruel demais. Esta criança merece ter outra mãe. POIS A MÃE É QUEM DÁ AMOR.

Marcadores: , ,

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dia Nublado, tempos nublados

Hoje é segunda e o dia está nublado. Lembram da música da Adriana Calcanhoto sobre cariocas?

Pois é... "cariocas não gostam de dias nublados...." Eu prefiro os dias de sol com céu azul.

Mas independente do dia nublado, confesso que acordei desanimada ao saber de tantas desgraças acontecendo no país ... A menina Eloá e o desfecho trágico deste seqüestro, o comportamento doentio daquele rapaz que por não ser mais correspondido no amor, resolve por fim à vida de uma jovem cheia de vontade de ser feliz.... Que baixa tolerância à frustração é essa??? Uns vão dizer... ele enlouqueceu... Não pode ficar preso, pois ele precisa de cuidados especiais. O que mais me preocupa é que este não é um caso isolado. Este tipo de violência contra adolescentes é muito mais recorrente do que se imagina. E cada vez mais cedo, as meninas começam a se relacionar com homens mais velhos. Eloá tinha 15 e o assassino 22... parece que já foi o tempo que adolescente namorava adolescente, não é.

Ontem aconteceu outro assassinato parecido, desta vez em Sorocaba, SP, onde um ex-namorado também de 22 anos matou a ex- de 16 com um tiro na cabeça por que ela não o queria mais....

Hoje abro o jornal e leio que o empresário Arthur Sendas foi assassinado também, supostamente por um de seus motoristas. É um crime atrás do outro. Que sociedade doentia, meu Deus...

Foto extraída daqui.

Marcadores: , ,

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Momento indignação

Mais um Joãozinho foi absurdamente assassinado pela polícia do RJ. Não. Isso não é filme americano. Infelizmente é a realidade de minha cidade. Mais uma família foi destruída, assim, de repente. Imagina. Você volta de uma festinha do amiguinho de seu filho e no meio do caminho tinha uma viatura da polícia seguindo um carro preto. E neste caminho, qualquer carro preto que estivesse no caminho seria metralhado. Que logística é essa, meu Deus?
E neste carro, poderia estar eu com meus filhos, você, com seus filhos, netos, amigos, pessoas de bem, trabalhadoras, pagadoras de impostos cada vez mais altos!! O que recebemos em troca? Um carro metralhado e a vida de uma família destruída.
Cada dia eu entendo menos a sociedade em que vivo, muito menos a minha cidade que agora está cada vez mais se tornando 'virtualmente' maravilhosa.
Os dias estão cinzentos nesta minha 'Guanabara' que amo tanto.
Ontem na comemoração adiantada dos 18 anos de minha sobrinha ( o dia mesmo é 9/7!), sua madrinha fez uma linda oração onde ela falava do milagre da vida. Parece algo tão óbvio, não é mesmo? Muitas vezes nem nos damos conta que estarmos vivos é um milagre. Vivemos simplesmente... as horas, os dias, os meses e o primeiro semestre que já terminou. Pois viver está cada vez mais se tornando um milagre no Rio de Janeiro. A violência está acabando com o Rio de Janeiro.
Estou triste por esta família. Poderia ser com qualquer um de nós. Por isso, agradeçamos sempre pelo milagre que é estarmos vivos hoje.
Espero que todos tenham uma boa semana.
Se quiserem ler sobre mais uma história triste de violência no Rio de Janeiro, clique aqui.
A foto do João Roberto foi tirada daqui.

Marcadores: , , , ,

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

João Hélio e tantos outros Joãos e Marias





Antes de João, depois de Hélio
Publicada em 01/02/2008
Por Tico Santa Cruz


Que o Rio de janeiro é uma cidade em guerra e dominada pelo poder paralelo só os políticos e as autoridades é que insistem em não assumir. Que uma infinidade de covardias e violências acontecem todos os dias na rotina desta metrópole afundada na apatia de seus cidadãos e na omissão de sua sociedade não há argumentos que provem o contrário, basta sujar as mãos de sangue com os noticiários. Personagens e tragédias estão tão em evidência quanto o carnaval ou o BBB. Acontece que nesta quinta-feira, dia 7 de fevereiro, faz um ano que uma criança, o menino João Hélio Fernandes Vieites, então com seis anos, foi arrastada pelos subúrbios numa via-crúcis que deixaria mestres do terror cinematográfico americano com as bochechas vermelhas de vergonha e os olhos cheios de lágrimas.
Pois infelizmente João Hélio não foi a única vítima das atrocidades a qual estamos submetidos. Outros anônimos sofreram, sofrem e sofrerão as conseqüências do descaso de décadas com a educação, a dignidade e a segurança pública da população. Sem dúvida nenhuma a história do Rio de Janeiro se divide em antes e depois do filho de Élson e Rosa.
A indignação e a revolta com o episódio levaram mais de 1.500 pessoas à missa de sétimo dia na Igreja da Candelária. Faces transtornadas, bocas rufando ira e clamando por justiça, idosos e jovens misturados compartilhando uma dor que jamais poderão imaginar.
Estive o tempo todo do lado de fora observando a movimentação da imprensa e dos curiosos. Ouvia de longe os discursos fervorosos e as palavras de conforto que o padre insistia em pregar perante milhares de pares de ouvidos. Na saída, com um megafone, gritamos para que os presentes tomassem as ruas para protestar contra o absurdo que deixamos acontecer. Por mais ou menos uma hora ganhamos a Avenida Rio Branco aos gritos de "justiça". O hino nacional foi cantado e parecia que finalmente o povo estava despertando para o único caminho que leva as conquistas legítimas em qualquer democracia séria, o caminho da união e da pressão popular por seus direitos nas ruas. Foi emocionante enquanto durou.
Ao longo desse um ano, grupos como o "Voluntários da Pátria", "Gabriela eu sou da Paz", "Rio de Paz", dentre outros, organizaram passeatas, atos e esboçaram reação com algumas reuniões do que seria o "Rio unido contra a violência". À medida que o tempo foi passando, fomos todos perdendo as adesões efusivas da sociedade e meses depois éramos somente uns apoiando os movimentos dos outros. Não deixamos a chama se apagar. Diversos manifestos foram praticados e continuam sendo organizados. Pode-se dizer que a morte de João Hélio fez com que o coma coletivo arfasse sinais de vida.
O Brasil inteiro voltou a discutir a redução da maioridade penal. Debates foram promovidos, comissões foram criadas e opiniões divididas, tendo como ponto positivo o fato de que, para acalmar a opinião pública, nossos parlamentares colocaram de volta em pauta a votação de alguns itens relativos à segurança que foram deixados de lado.
Em meio ao mar de incompetência administrativa, o carioca percebeu que o perigo não estava mais só nas comunidades carentes, distante dos condomínios seguros e das ruas bem iluminadas da Zona Sul. E quando a classe média passou a ser alvo constante da violência que outrora fincava seus pés apenas para lá do túnel Rebouças, o assunto ganhou a atenção merecida.
Os movimentos conseguiram chamar atenção para o alto índice de homicídios, também para a relação direta e promíscua da classe política com o crime organizado, corrupção entre outros ingredientes que somam forças nesse cenário caótico. Ainda estamos tentando mostrar que uma sociedade que não tem suas crianças numa escola aprendendo os valores que são cobrados por nós, dificilmente terá adultos com discernimento para desenvolver outra postura que não a de revolta com a falta de condições básicas de existência e de oportunidade. Ouvi da boca de um presidiário: "Se eles não dão valor a nossa vida, por que deveríamos dar valor à vida deles?".
O paradigma permanece e o maniqueísmo prevalece hostil quando grupos com idéias divergentes optam por virar as costas para um diálogo que pode até não solucionar de uma vez por todas o problema, mas com certeza buscar a redução do número de vítimas. Na minha matemática, se em 360 dias conseguirmos diminuir em 100 a quantidade de óbitos, já estamos dando um passo à frente, ou não?
Um ano depois de João Hélio, as ruas por onde o menino foi arrastado continuam sem policiamento, a sensação de insegurança aumenta, milhares são as vítimas de balas perdidas, assaltos e outras modalidades de violência que se multiplicam. No entanto, o pano de fundo ainda é o mesmo de sempre: escolas caindo aos pedaços, professores mal remunerados, policiais suscetíveis a suborno ou a "bicos" para complementar o péssimo salário que recebem para expor suas vidas, problemas com hospitais e médicos, confronto entre facções, milícias e autoridades. E a classe artística, com raras exceções, quieta, calada, omissa.
O que merece um povo que consegue reunir 1 milhão de pessoas para ver aviões dando rasante na Baía de Guanabara ou que passa noites na frente do Maracanã para trocar latas de leite por ingressos de jogo de futebol, mas que não é capaz de se unir para lutar por seus direitos constitucionais? Tomara que não seja preciso que cada família nesse estado tenha uma história triste ou uma tragédia em seu destino para que possamos nos mobilizar com a mesma disposição que temos para os blocos de carnaval e afins.
Quando viramos as costas para a situação política do nosso país, nos calamos diante da impunidade, das injustiças e das covardias, não só estamos compactuando e dizendo um grande "sim" para que tudo permaneça igual como também estamos semeando uma próxima geração de cidadãos dispostos a qualquer atitude para que prevaleçam seus interesses individuais. João Hélio esfregou em nossas faces o tamanho de nossa incompetência e indiferença com responsabilidades de cidadania. Que sua morte, assim como a de outros tantos, não seja apenas mais uma triste estatística.

Fonte: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/02/01/antes_de_joao_depois_de_helio-383203843.asp

Marcadores: , , , , ,