"palavras são como estrelas, facas ou flores
elas têm raízes, pétalas, espinhos
são lisas, ásperas, leves ou densas
para acordá-las basta um sopro em sua alma
e como pássaros
vão encontrar seu caminho".
O Jardim Botânico é um dos lugares mais agradáveis para visitar no Rio de Janeiro. Além da natureza exuberante, já tive gratas surpresas por lá. Uma vez vi uma revoada de tucanos, micos há muitos, mas também já vimos macacos-prego e papagaios! Acostumada a encontrá-los no zoológico, vocês não imaginam a minha alegria e de minha família quando vimos estes animais livres. E no dia de hoje, descobri que o Jardim Botânico completa 200 anos. Amo este lugar! Por isso, desejo que este parque continue lindo e preservado para que possamos sempre desfrutar de sua beleza e tranqüilidade. Se quiser ler mais sobre as comemorações pelo bicentenário do Jardim Botânico, clique aqui. Se tiver interesse em fazer parte da associação dos amigos do Jardim Botânico (AAJB), clique aqui.
Fonte da imagem: http://www.pbase.com/brendito/image/61064150
Hoje, primeiro de março é o aniversário da cidade do Rio de Janeiro: 443 primaveras!
Um pouco de história
Em 1502, no dia 1º de janeiro, os portugueses encontraram a Baía de Guanabara. À primeira vista, os marinheiros pensaram que era a foz de um grande rio e chamaram as terras que eram banhadas pelas águas de Rio de Janeiro, mês em que chegaram ao local. Depois das primeiras visitas à região, as terras ficaram praticamente abandonadas, pois os portugueses preferiam concentrar seus esforços nas áreas do litoral do País em que havia pau-brasil.
A cidade foi fundada muitos anos depois, em 1º de março de 1565, pelo militar português Estácio de Sá. Ele tinha o objetivo de expulsar os franceses que estavam ali há 10 anos e colonizar as novas terras. Quando chegaram ao Rio de Janeiro, em meados do século XVI, os franceses conseguiram devagar conquistar a confiança dos índios e assim trocavam especiarias por animais. Mesmo com tantas dificuldades, Estácio de Sá venceu os franceses e promoveu a fundação do Rio de Janeiro, mas acabou morrendo um mês depois da fundação.
Quando os franceses foram expulsos, em 1567, e os índios tamoios dominados, a cidade possuía poucas casas. Para que as pessoas ficassem mais protegidas, o governador Mem de Sá transferiu a cidade para o Morro de São Januário, que passou a se chamar Morro do Castelo por causa de um forte que tinha sido construído no local. A transferência ocorreu para dificultar os ataques piratas.
O desenvolvimento da cidade aconteceu durante o século XVIII, apesar de um conturbado período de invasões e constantes lutas contra os franceses. A evolução e enriquecimento da cidade atraiu os portugueses, uma vez que Rio de Janeiro tinha se tornado o principal centro de comércio das regiões das minas de ouro e diamantes.
Um dos fatos que enriqueceram a cidade foi a chegada da família real portuguesa, no início do século XIX. A Corte Portuguesa abriu os portos, integrou o Brasil ao mercado mundial e elevou a cidade à condição de Capital do Reino unido de Portugal, Brasil e Algarve. Dom João passou administrar o País e, com sua capacidade de liderança, expandiu o Brasil, declarando a independência de Portugal em 1822. O Rio de Janeiro se transforma em sede do Reino Unido, tendo como imperador Dom Pedro I.
O crescimento do Rio de Janeiro acelerou no século XIX, com o fim da Monarquia em 1889. A cidade passou a investir no transporte, alguns rios foram encanados e foi instalado o Tribunal do Comércio no Paço da Cidade. Além disso, outras melhorias foram promovidas como a criação do corpo de bombeiros, a chegada da iluminação elétrica e do telefone que contribuíram para a modernização da cidade.
Em 1763, a cidade se tornou capital do Brasil, posição que ocupou por quase duzentos anos. O Rio de Janeiro só perdeu o posto de sede política do País com a construção da cidade de Brasília, que passou a ser a sede do governo a partir de 1960. Por determinação do Regime Militar, os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro juntaram-se em 1975, formando apenas um estado e tendo como capital a cidade do Rio de Janeiro.
Adaptado de: http://www.brazilonboard.com/rio/13180.asp Foto: http//www.riodejaneirotravelguide365.com
Nasci nesta cidade linda e maravilhosa. Nossas belezas naturais são dádiva de Deus. O Corcovado, Pão-de-açúcar, Floresta da Tijuca, Maracanã, a enseada de Botafogo são alguns de meus lugares favoritos. Também adoro a pracinha do bairro onde moro, assim como os cachorros de rua que atendem por nomes dados por anônimos. Aprecio as ruas arborizadas do meu bairro e o céu quase sempre azul. Hoje não quero falar do Rio de Janeiro de ruas sujas e violentas, muito menos dos políticos corruptos. Do Rio de Janeiro 'do purgatório do caos', já bastam os jornais nos mostrarem cenas dramáticas todos os dias, não é mesmo? Nós cariocas sofremos com tudo isso? Sim. E muito. Mas em dia de aniversário temos mais é que celebrar a vida. Por isso, parabenizo o meu Rio de Janeiro e todos os cariocas da gema e também aqueles que adotaram o Rio de Janeiro como sua cidade. Parabéns para todos nós!
E como em toda comemoração de carioca não pode faltar uma música, quero exaltar o meu Rio de Janeiro idílico, apresentando-lhes uma pérola do maestro Antonio Carlos Jobim. Neste vídeo, Tom e sua banda cantam 'Samba do Avião', no Festival de Jazz de Montreal em 1986, uma apresentação inesquecível, a qual eu tive a oportunidade de estar presente naquela noite de verão canadense.
Eu não sei se vocês experimentam algo semelhante quando chegam na cidade natal de vocês. Toda vez que eu fico longe do Rio e volto de avião, este samba sempre cruza os meus pensamentos. É lindo demais...
Tenham um ótimo fim-de-semana!
Samba do AviãoAntônio Carlos Jobim
EparrêAroeira beira de marCanôa Salve Deus e Tiago e HumaitáEta costão de pedra dos home brabo do marEh, Xangô, vê se me ajuda a chegarMinha alma cantaVejo o Rio de Janeiro Estou morrendo de saudadesRio, seu marPraia sem fim Rio, você foi feito prá mimCristo Redentor, Braços abertos sobre a GuanabaraEste samba é só porqueRio, eu gosto de você A morena vai sambarSeu corpo todo balançar Rio de sol, de céu, de marDentro de um minuto estaremos no Galeão Copacabana, CopacabanaCristo Redentor,Braços abertos sobre a GuanabaraEste samba é só porqueRio, eu gosto de vocêA morena vai sambar Seu corpo todo balançarAperte o cinto, vamos chegar Água brilhando, olha a pista chegandoE vamos nósPousar...
"Se o mundo do futuro se abre para a imaginação, mas não nos pertence mais, o mundo do passado é aquele no qual, recorrendo a nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa identidade; um mundo que se formou e se revelou na série ininterrupta de nossos atos durante a vida, encadeados uns nos outros, um mundo que nos julgou, nos absolveu e nos condenou para depois, uma vez cumprido o percurso de nossa vida, tentarmos fazer um balanço final.
É preciso apressar o passo. O velho vive de lembranças e em função das lembranças, mas sua memória torna-se cada vez mais fraca. O tempo da memória segue um caminho inverso ao do tempo real: quanto mais vivas as lembranças que vêm à tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo em que os fatos ocorreram. Cumpre-nos saber, porém, que o resíduo, ou o que logramos desencavar desse poço sem fundo, é apenas uma ínfima parcela da história de nossa vida. Nada de parar. Devemos continuar a escavar! Cada vulto, gesto, palavra ou canção que parecia perdido para sempre, uma vez reencontrado, nos ajuda a sobreviver."
Norberto Bobbio - filósofo e jurista italiano (*18/Out/1909-Torino;†09/Jan/2004-Torino)
Fonte da gravura: http://www.bertotti.it/genealogia/
Genealogia: 1. Estudo que tem por objeto estabelecer a origem de um indivíduo ou de uma família 2. exposição cronológica, geralmente em forma de diagrama, da filiação de um indivíduo ou da origem e ramificações de uma família 3. Conjunto de antepassados segundo uma linha de filiação. Dicionário Houaiss da língua portuguesa
Nesta postagem aqui, mencionava que meu bisavô, chegou à cidadezinha de Barra de São João, região da baixada litorânea ao norte do estado do Rio de Janeiro, proveniente de Damasco, Síria. Infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-lo, pois quando faleceu, minha mãe ainda era uma menina. Conhecer a história de vida dos meus antepassados e montar a árvore genealógica é para mim uma aventura e hobby prazerosos, e algo que já dura alguns anos. A árvore ainda está muito incompleta, mas cada informação que eu consigo com parentes mais antigos ou através de documentos que eles me emprestam é uma alegria tamanha. Existem muitas informações sobre genealogia na internet e alguns pesquisadores conseguem fazer um estudo bastante abrangente sobre suas famílias. A de minha família é ainda uma colchinha de retalhos, mas aos poucos, eu vou chegando lá. Afinal, quando você tem sobrenomes como 'Nascimento' e 'da Silva', por exemplo, este estudo pode se tornar infinito :-) não é, mas cada novo pedacinho de história que eu consigo montar nessa 'colcha' familiar, torna-se sempre motivo de alegria para mim. Com relação ao meu bisavô de Damasco, seu nome era Phelippe Gibara. E a história dele, assim como toda história de família, é fascinante, pois se trata da seiva de parte do que sou agora. Infelizmente o que sei é pouco. Um dia, quem sabe, chegarei aos meus parentes de Damasco, porém, por não ter encontrado ainda registros no Arquivo Nacional a respeito de sua chegada ao Brasil ( faltam-me datas importantes!), a pesquisa se torna ainda mais desafiadora, para não dizer difícil... Uma tia querida, já falecida, me disse certa vez que seu pai veio para o Brasil com muitos 'patrícios'. Uma versão da história é que ele fugia de uma guerra e neste caso, estamos falando do século 19. A outra hipótese é que seu pai havia se casado pela segunda vez e por não aceitar este segundo casamento, decidiu imigrar....... (bem, ainda não sei qual versão é mais confiável). Talvez este pedaço da história seja eternamente parte do folclore da minha história familiar. Minha tia também contava que ele não gostava que os filhos participassem dos encontros dele com seus patrícios. Uma curiosidade é que ele não ensinou árabe aos filhos, mas nesses encontros, meu bisavô e seus amigos sempre se comunicavam em árabe. Às 18 horas, sempre rezavam a Ave-Maria! (Eram cristãos!) Os filhos participavam mais da vida do pai e as filhas ficavam mais com a mãe. Phelippe se estabeleceu na região de Campos e depois em Barra de São João. E lá, bisavô Felipe casou com a minha bisavó Josefina e juntos tiveram mais de 10 filhos, dentre os quais, minha avó Lucília Gibara, também nascida em Barra de São João, que por sua vez, teve a minha linda mãe Gilda em São Gonçalo, RJ, que me teve há algumas décadas na cidade do Rio de Janeiro, antiga Guanabara. Não é maravilhoso pensar que estamos todos interligados? Do lado de meu pai, a minha história está entrelaçada com índios, paraibanos, portugueses e quem sabe holandeses? Esta parte ainda é mais complexa, já que tenho menos informações e os sobrenomes são mais comuns. Nossos parentes mais idosos são verdadeiros tesouros vivos, pois podem nos contar o pouco ou muito que sabem a respeito de seus pais, avós, bisavós, etc e da época em que viveram, a infância, a juventude, a idade adulta e a velhice. Além de datas, cidades e países de origem, o mais maravilhoso da genealogia é o tear de uma história que vai sendo construída através de 'causos', narrativas únicas que se não fossem registradas, certamente iriam se perder no tempo. Portanto, amigos, se vocês gostam deste assunto, encontrem-se com os seus parentes mais velhos e como ao redor de uma fogueira, deixem-os contarem suas histórias de um tempo e de suas vidas, sem pressa, pois além de serem momentos de aconchego familiar com os mais velhos, nós guardaremos para sempre a nossa história, nos conheceremos melhor e esta história poderá ser recontada por nossos filhos, netos e bisnetos.....
Encontrei um poema muito bonito na net que retrata esta sensação de acolhimento e o encanto que é fazer pesquisa genealógica.
ANCESTRAIS
Sentem comigo aqui, por um instante, Para contar-me as coisas que não sei. Digam para mim dos sonhos de futuro, Das ramas de verdor por sobre o muro, Das terras que eu pensava tão distantes E que, ao conhecer, eu tanto amei. Falem aos meus ouvidos com esse canto De quem tem outro jeito de cantar. Mostrem-me as veias, o semblante, o pranto E me recolham desse desatino De querer explicar o meu destino, De querer descobrir o meu lugar. Sentem comigo aqui, por um momento, E permitam que eu tome as suas vidas Com toda a alma e força do meu ser. Talvez, quem sabe, eu seja esclarecida; Talvez, assim, à luz do sentimento Eu possa, afinal, compreender Sentem comigo aqui, só um pouquinho; A mim revelem todos os segredos Desse sangue comum que nos é dado. E eu certamente irei dormir sem medo, Amparada no amor e no carinho Que me vêm tão claramente do passado. Sentem comigo aqui, que eu agradeço A honra, a gente, a descoberta, a História Que de vocês me pousam na memória E me conduzem para onde estou. Eu posso ser melhor porque hoje cresço E mais que muita gente... sei quem sou !