sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Hoje é Dia de Cecília!




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Hoje é o dia de Cecília Meireles! Há 107 anos, nascia esta grande escritora que nos emociona sempre que a lemos. Leonor Cordeiro do blog "Na dança das palavras" organizou esta bela homenagem e eu não podia deixar de participar.Foi muito difícil escolher uma poesia ou crônica somente para homenageá-la. Por isso, aqui estão minhas escolhas: três poemas e uma crônica, pois Cecília também escreveu belíssimas crônicas. A que segue, por exemplo, traduz aquele sentimento gostoso de entrar numa livraria e ser 'chamada pelos livros' e que naturalmente vamos criando nossas intertextualidades com as leituras que fazemos. Obrigada, Leonor!

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.



"O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"


No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

Um livrinho e muitas saudades

Entro numa livraria sem estar procurando livro nenhum (pelo menos, é o que suponho, uma vez que nos conhecemos tão pouco e ignoramos a razão de tantos dos nossos atos).

Entro numa livraria como quem passeia pelo mundo do espírito, encontrando pelas prateleiras nomes antigos e modernos, saudando as velhas amizades, recordando tempos de estudar, tempos de sonhar, tempos de viver.

De repente, um livrinho chama por mim. Não chama apenas minha atenção: chama, realmente, por mim: “Vem cá, me leva!”, diz ele. E diz isso pelo desenho da capa, que é um desenho infantil com várias crianças, um burburinho e duas cobras. Tão graciosa é a capa que nem procuro saber o nome do livro nem o do autor. Basta-me contemplar o desenho. E, como não estou inclinada a comprar livros, sigo adiante. Mas a voz, uma pequena voz discreta, continua a pedir-me: "Venha cá! Me leva!".

Passo pelos velhos clássicos, encontro-me com os românticos, topo com os contemporâneos... E a pequena voz a chamar-me “Vem cá!”...

Volto atrás. Tenho de levar aquele livro. Tomo-o nas mãos, abro-o, leio duas ou três passagens. É uma história verdadeira, a infância de um negrinho, na África Francesa. Venho com o livro como se trouxesse o menino pela mão, e ele me conta suas lembranças com a simplicidade de um pequeno amigo.

Ora, essas lembranças são todas saudades. Câmara Laye, que escreve em francês, decerto ignora essa palavra intraduzível; mas o que ele nos transmite em seu delicioso livrinho é sobretudo uma sucessão de saudades.

É de saudades o seu sentimento ao perceber que já não estará, como seus pais, ligado aos mistérios tôtemicos, e que a sua vida será diferente, delisgada dessas tradições, aproximando-se, pelo estudo, da vida dos europeus.

É de saudade a sua experiência da circuncisão, saudade da infância que fica pra trás, quando os deveres da adolescência se aproximam

É de saudade o instante em que se separa dos pais, da sua pequena cidade, do seu mundo cotidiano, para ingressar numa escola distante.

É de saudade sua aflição diante da morte de um amigo, e ao despedir-se da bela namorada. E são lágrimas de saudade que caem dos seus olhos na terra africana, quando parte para a França a fim de se aperfeiçoar nos seus estudos. Saudades. Saudades! Saudades....

E eis que agora as saudades são minhas: saudade da boa gente negra que conhecemos e amamos, que fez parte da nossa infância, que conservava o respeito metafísico do universo e possuía a dignidade de quem obedece a esses poderes altíssimos.

Saudade da boa gente negra que contava histórias, que ensinava a amar todas as criaturas de Deus, que possuía um dom de carinho, de doçúra, uma riqueza de coração como a das mulheres de que este menino fala

Saudade... Ah! Meu bom menino africano, como foi que tanta coisa se estragou, que tanta coisa se perdeu? A bela Maria perguntava-te em Dacar: "Estás contente de partir?" E tu dizias: "Não sei...Não creio...." Ela insistia: "Voltarás." E tu dizias que sim.... que sim....
(Alguma coisa volta, neste mundo? Ah! Se certas coisas pudessem voltar!)
Do livro: Escolha o seu sonho
Cecília Meireles

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Hoje é Dia de Cecília

Daí pensei: não quero escrever no blog pois não quero falar somente de desgraças. Porém, ao visitar os blogs que sempre visito, deparo-me com algo que me trouxe uma felicidade instantânea, mesmo que passageira. A Leonor, do blog Na Dança das palavras irá homenagear Cecília Meireles com uma blogagem pelo aniverśario de nascimento desta escritora maravilhosa no dia 7 de novembro.

Se alguém tiver interesse em participar, entre em contato com a Leonor. E mesmo se não quiser, faça uma visitinha ao blog dela, que está sempre recheado de belas poesias e pensamentos que nos encantam e muitas vezes acalmam um coração dilacerado depois de ler tanta desgraça nos jornais brasileiros.

Precisamos de mais poesia no mundo de hoje. Por isso, Viva Cecília!

O texto a seguir, eu retirei do blog da Leonor com as instruções para participar na blogagem coletiva:

O dia 7 de novembro marca mais um aniversário do nascimento da escritora Cecília Meireles. Esse blog deseja comemorar esta data distribuindo a poesia de Cecília pela blogosfera com a blogagem coletiva: HOJE É DIA DE CECÍLIA!
Como participar ?

1.Cole o selinho da blogagem em seu blog para divulgar a sua participação.

2. Deixe aqui o nome do seu blog para que ele faça parte da lista dos blogs participantes.

3. No dia 7 de novembro escolha um poema da Cecília para uma postagem especial.

Faça parte desse grupo que respeita e aplaude Cecília divulgando com prazer a sua obra.







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sexta-feira, 14 de março de 2008

VIVA A POESIA! - Segunda Parte -


Encontrei Drummond no You tube declamando vários de seus poemas. No site Memória Viva, vocês encontram vários poemas declamados por nosso grande poeta, aliás, este site é excelente! Vale a pena conferir!







Mundo Grande

Carlos Drummond de Andrade


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.


Outro poema do Drummond que escolhi já foi musicado por Milton Nascimento. É lindo ouvir este poema na voz do Milton! É do disco Clube da Esquina 2. Quem conhece, sabe da maravilha de que estou falando.


Canção amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.


Também encontrei alguns poemas da Cecília Meireles declamados por ela mesma, como em
"Retrato.

Porém, o poema a seguir me encanta à beça. Chama-se "Vôo".


Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Voam as palavras como águias imensas
Como escuros morcegos, como negros abutres, as palavras voam.
Oh! Alto e baixo, em círculos e retas, acima de nós, em redor de nós, as palavras voam
e às vezes pousam.



Cecília por ela mesma:

"Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o
segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.
Cecíclia Meireles"

( fonte: www.tvcultura.com.br)

São tantos outros poetas maravilhosos... Sinto-me literalmente culpada por não estar aqui prestando-lhes as devidas homenagens... Mário Quintana, Cora Coralina, Vinícius de Moraes. Machado de Assis, por que não? Apesar dele ser mais conhecido e lido por sua prosa literária, já li lindos poemas do bruxo do Cosme Velho. Aos poucos, vou revisitá-los. Com certeza.


Tenham todos um ótimo fim-de-semana.



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