quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO! HAPPY NEW YEAR! GELUKKIG NIEUWJAAR!

Não há mensagem mais verdadeira para desejar um Feliz Ano Novo a todos vocês que me visitam quanto a do lindo poema de Carlos Drumond de Andrade chamado 'Receita de Ano Novo'. Encontrei um vídeo inspirador com a voz ( creio eu!) do grande Lima Duarte. O vídeo foi feito para a chegada de 2008. Não importa, meus desejos são para 2010, 2011, dois mil e sempre...
Obrigada pelo carinho e amizade!
Que sejamos felizes, que tenhamos saúde, amor e paz e que realizemos nossos sonhos em 2010... ( pelo menos alguns deles!!:-)



Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

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sábado, 26 de dezembro de 2009

2010 e a esperança...

Ouvi este poema do Mario Quintana hoje à noite na novela e me emocionei. É lindo demais
Quero compartilhá-lo com vocês.

Esperança

Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Texto extraído do livro "
Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.

Imagem extraída daqui.

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