quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Simplesmente eu. Clarice Lispector.
























Hoje eu e Niels fomos assistir à peça 'Simplesmente eu. Clarice Lispector', com a espetacular Beth Goulart. Por um momento, senti-me como se estivesse diante de Clarice Lispector em carne e osso (mesmo sem nunca tê-la visto antes!) - o tipo físico, o penteado, o leve sotaque e/ou a 'língua presa' da autora, as roupas, a atriz Beth Goulart soube com maestria desenvolver um monólogo onde os textos de Clarice dialogam entre si. Deixei o teatro em estado de frenesi, como sempre fico quando leio os textos de Clarice....
Como foi bom, por um momento, poder sonhar que era ela mesma naquele monólogo dando vida aos dramas de seus personagens e nos fazendo refletir muito sobre nós mesmos, nossas vidas, nossas crenças, nossas escolhas, nossas alegrias e tristezas.
Este monólogo tem feito o maior sucesso no Rio de Janeiro. Sempre com casa lotada. Já havia tentado assistir no CCBB, porém estava sempre lotado. Amanhã será a última apresentação de uma curta temporada no teatro Odylo Costa Filho da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Caso a peça vá para sua cidade, não deixem de assistir!

Segue um texto que encontrei aqui, onde a atriz Beth Goulart nos apresenta como foi o processo de criação desse espetáculo e o motivo pelo qual a atriz decidiu fazer Clarice Lispector no teatro:

ENCONTRO COM CLARICE LISPECTOR
"O que me levou a fazer Clarice Lispector no teatro foi o mistério do espelho, a identificação que sinto por ela. A vontade de trazer mais luz sobre esta mulher que revolucionou a literatura brasileira, redimensionou a linguagem falando do indizível com a delicadeza da música, usando a escrita como uma revelação, buscando o som do silêncio ou fotografar o perfume. “A arte é o vazio que a gente entendeu” diz Clarice.

Quero atingir o vazio de mim mesma para refletir a profundidade desta mulher que conhece o segredo das palavras e suas dimensões. O questionamento, é a busca constante do artista diante de sua escolha, como ela, eu gosto de intensidades.

Há dois anos mergulhei num processo de pesquisa para escrever este roteiro lendo tudo o que podia de sua obra e livros biográficos. Fiz dois workshops com Daisy Justus, psicanalista, especializada em Clarice Lispector, que analisa sua obra sob a ótica da psicanálise. Vi e ouvi tudo o que podia sobre ela, suas entrevistas, fotos, o depoimento no MIS, a entrevista póstuma na TV Cultura, enfim me tornei uma esponja de tudo o que se referia a ela.

Neste olhar apaixonado escolhi sua obra para recontá-la. Construí um corpo narrativo com trechos de entrevistas, depoimentos e correspondências que preparam os personagens que irão se apresentar ao público como desdobramentos dela mesma. Os temas abordados são reflexões sobre criação, vida e morte, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, arte, loucura, amor, inspiração, aceitação e entendimento.

Clarice é muito pessoal em seus escritos e todos os seus personagens tem algo de si mesma. Acho que Joana de “Perto do coração selvagem” talvez seja a mais parecida com sua essência criativa e indomável. Ana do conto “Amor” é a dona de casa e mãe dedicada que Clarice certamente foi. Lori de “Uma Aprendizagem ou O livro dos prazeres” vive em cena as descobertas do amor e A Mulher do conto “Perdoando Deus” é uma bem humorada auto-critica."
Beth Goulart



Marcadores: , , , ,

Commentários:
Nossa, Sonia, tô impressionada com a semelhança que a Beth Goulart ficou com a Clarice!
Vejo que ela cresceu e amadureceu como atriz, que bonito isso!
E eu nem estava sabendo dessa peça, mas vou ficar de olho para ver se vem pro lado de cá da baía, pois costumam fazer muito isso, depois do Rio veem para Nikiti.
Isso é que podemos chamar de passeio gostoso e ainda mais acompanhada do maridão. Legal!
beijins cariocas
Postado por Blogger Beth/Lilás : 30 de out de 2009 10:43:00  
Tomara que esta peça chegue por aqui depois que eu tirar o gesso, para que eu possa ir. Acho a Clarice Lispector espetacular.
Bjim.
Postado por Blogger Rosamaria : 30 de out de 2009 13:49:00  
Quando vier para Sampa irei assistir, certamente. Bj. Elza
Postado por Blogger Blog do Beagle : 30 de out de 2009 22:29:00  
Meninas,
Se ou quando a peça for para perto de vocês, não deixem mesmo de assistir: é um bom alimento para nossa alma.
Beijos,
Postado por Blogger Sonia H. : 31 de out de 2009 00:07:00  
Sonia, adorei. Mas a semelhanca é demais mesmo. Eu conheco a Beth Goularth pessoalmente e ela é uma pessoa muito legal, simples nada esnobe. É risonha que só vendo.

A peca deve ser demais.

Você acredita que nao me lembro de ter lido um livro dela? Sei que leio muita coisa aqui na internet.

Gostei muito da entrevista da Beth também para a formacao do personagem.

Parabéns pelo post, Sonia.

Um beijo
Postado por Blogger Georgia : 31 de out de 2009 07:30:00  
Georgia,
Admiro muito a família Goulart - a começar pelos pais, não é - a Nicete Bruno e o Paulo Goulart. E a Beth Goulart se superou com este monólogo.
Eu já li vários livros da Clarice Lispector, mas agora estou decidida e ler toda a sua obra. Atualmente, estou lendo um livro de coletânea de entrevistas feitas por ela a personalidades da arte, literatura, música. Estou adorando.
Beijos,
Postado por Blogger Sonia H. : 31 de out de 2009 17:00:00  

Postar um comentário