domingo, 20 de julho de 2008

Para os meus queridos amigos, friends, vrienden - Semana Internacional da Amizade -

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.
Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários.
De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo,
andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinícius de Moraes (1913-1980)

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Commentários:
Oieee!
Já me considero sua amiga, virtual, porém verdadeira.
Beijos e uma ótima semaninha!
Postado por Blogger Lilás : 21 de jul de 2008 00:09:00  
Ai que lindo Sonia!!!!

Tem amigos que mesmo distantes, a gente carrega dentro do coração.

Beijos

Alê
Postado por Blogger Alê : 21 de jul de 2008 19:02:00  
Belíssimo texto! Como é importante ter amigos não é? A vida se torna tão mais alegre e colorida! Não conseguiria viver sem os meus. Beijo!
Postado por Blogger Celia Rodrigues : 21 de jul de 2008 22:30:00  
Oi Sonia.

Que lindo !!!

Parabéns a você também !!!

Bjs.
Elvira
Postado por OpenID evipensieri : 22 de jul de 2008 13:31:00  
Sonia, esse texto sempre me encantou. Apesar de todas as bebedeiras e de todas as excentricidades, Vinicus era um poeta genial e eaté em prosa poetava. Muitos beijos procê que teve a felicidade de publica-lo. Elza
Postado por Blogger Blog do Beagle : 22 de jul de 2008 19:17:00  
Querida, vim te trazer um beijinho e vou embora levando outro.
Postado por Blogger AK : 23 de jul de 2008 17:54:00  

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